{"id":410,"date":"2025-09-28T01:56:37","date_gmt":"2025-09-28T01:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=410"},"modified":"2025-10-01T00:22:01","modified_gmt":"2025-10-01T00:22:01","slug":"a-ilusao-do-falso-empreendedorismo-que-nos-leva-a-uma-armadilha-social-profunda-que-comeca-na-criacao-submissa-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=410","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o do falso empreendedorismo que nos leva a uma armadilha social profunda, que come\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o submissa dos pais."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dos tantos absurdos que escutamos no dia a dia, de que o \u201cbrasileiro n\u00e3o quer mais trabalhar,\u201d devido ao bolsa fam\u00edlia; \u201co meu pol\u00edtico rouba mais faz\u201d; \u201cagora sou um empreendedor ou microempreendedor, pois detesto ser celetista\u201d; \u201centrei na era da pejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, enfim, poder\u00edamos elencar v\u00e1rios exemplos de absurdos e incongru\u00eancias, mas preferimos somar a estes, somente mais um: as entidades que representam os motoristas de aplicativos, entregadores e afins, consideram a proposta de lei complementar (PLP), inadequada, insuficiente e acham que ir\u00e3o perder muito com a proposta. Ora, eles j\u00e1 est\u00e3o perdendo. Por pior, prec\u00e1ria e insuficiente que seja a proposta, com certeza eles iriam ficar numa situa\u00e7\u00e3o melhor da que est\u00e3o hoje. Iriam avan\u00e7ar em ganhos reais e sociais. Aqui, vale aquela m\u00e1xima, de que o \u00f3timo \u00e9 inimigo do bom.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o PLP, foi realizada em mar\u00e7o de 2024, e \u00e0 \u00e9poca, era comum presenciarmos os profissionais de aplicativos e entregadores, na sua maioria, pronunciarem-se fervorosamente contra a proposta, principalmente sob a alega\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 iriam pagar mais impostos. O que, diga-se de passagem, n\u00e3o era verdade, iriam, sim, contribuir para a previd\u00eancia, o que \u00e9 justo e relevante, n\u00e3o esquecendo, entretanto, que a empresa patronal tamb\u00e9m iria contribuir com a sua contrapartida para fins previdenci\u00e1rios, como rege a lei para os demais empregadores celetistas.<\/p>\n<p>Na outra ponta desse enredo, temos a c\u00e2mara federal, que teve uma boa parcela dos seus representantes, discursando contra a proposta, ao mesmo tempo, em que outro grupo fazia recortes de v\u00eddeos e divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o ver\u00eddicas, sempre com o pano de fundo no credo de que aquela proposta seria ruim para os profissionais de aplicativos, entregadores e afins, ou, uma esp\u00e9cie de averso do inverso da realidade do tema aventado. Esqueceram-se, os nobres deputados, que o nobre papel de qualquer parlamento, \u00e9 entender propostas, verificar se elas atendem de fato \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o ou categoria, melhor\u00e1-las e aprov\u00e1-las para o bem do povo. Mas eles n\u00e3o agiram assim. Preferiram politizar a quest\u00e3o e ladear com aquela m\u00e1xima do \u201cquanto pior melhor\u201d, n\u00e3o importando a quem, desde que n\u00e3o seja ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o rasa de que n\u00e3o ter \u201cchefe\u201d; n\u00e3o ter que cumprir hor\u00e1rios engessados; ou simplesmente trabalhar a seu bel-prazer, pode levar a uma nuvem que emba\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o da dura realidade dos fatos. \u00a0No caso espec\u00edfico dos motoristas de aplicativos e a estes somamos tamb\u00e9m os entregadores e afins, eles se autodenominam como senhores de si, e por tanto, s\u00f3 dependem deles mesmos, o que infelizmente n\u00e3o \u00e9 verdade. Confundem o empreender, como sendo donos de si, quando na realidade, a aventura de empreender \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. O verdadeiro empreendedor sempre depender\u00e1 de colaboradores, de clientes ou de p\u00fablico, como preferirem, enfim, todos os <em>stakeholders<\/em> que est\u00e3o no seu entorno, al\u00e9m \u00e9 claro, do talento, aptid\u00e3o, networking e troca de experi\u00eancias, foco e determina\u00e7\u00e3o, bom treinamento e outros tantos que os mentores costumam utilizar para nos passar a impress\u00e3o de que est\u00e3o atualizados. Em um outro ramo desta mesma ponta, temos as influ\u00eancias, normalmente nefastas, dos tais coaches<em>;<\/em> assim como os pastores, que costumeiramente, ao tratar do tema se empolgam com a express\u00e3o: \u201cprosperar\u201d. Detalhe: se voc\u00ea n\u00e3o prosperar, com certeza \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o teve f\u00e9 o suficiente ou \u00e9 um incompetente. Lembremos que a maioria dos coaches, \u00a0n\u00e3o optou por ser empreendedora, ela \u00e9 ou foi, t\u00e3o v\u00edtima quanto seus aprendizes. Em suma, os nossos motoristas de aplicativos, entregadores e afins, vivem uma aventura e uma ilus\u00e3o, sempre achando que amanh\u00e3 aparecer\u00e1 uma nova oportunidade e as coisas ir\u00e3o melhorar. E assim o tempo vai passando, eles v\u00e3o ficando mais afastados do mercado de trabalho, v\u00e3o envelhecendo e se debilitando, at\u00e9 ficarem totalmente n\u00e3o competitivos, pois n\u00e3o tiveram tempo para se capacitarem e n\u00e3o se perceberam escravos invis\u00edveis \u00fateis. N\u00e3o contribu\u00edram para a previd\u00eancia e n\u00e3o t\u00eam plano de sa\u00fade, o que os far\u00e3o engrossar as filas do SUS e reivindicar o BPC, quando se virem sem condi\u00e7\u00f5es de continuar \u201cempreendendo\u201d e alugando a sua sa\u00fade e o seu corpo forte, quando ent\u00e3o, perceber\u00e3o que al\u00e9m de n\u00e3o terem feito uma poupan\u00e7a previdenci\u00e1ria, tamb\u00e9m n\u00e3o pouparam a sa\u00fade. Uns perderam uma perna aqui; outros, um bra\u00e7o por ali e um assalto acol\u00e1, deixou algu\u00e9m traumatizado. A carne dos seus corpos alimentaram o asfalto das via p\u00fablicas, seu \u00fanico aconchego e amigo fiel. O \u00fanico e \u00faltimo abra\u00e7o.\u00a0 Nunca, ter\u00e3o visto o Sr. Uber e companhia e muito provavelmente botar\u00e3o a culpa no governo, pelas condi\u00e7\u00f5es em que se encontram. Provavelmente ser\u00e3o procurados por advogados aproveitadores e pol\u00edticos oportunistas, que lhes oferecer\u00e3o solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, tirando-lhes o pouco que ainda t\u00eam. N\u00f3s, do lado de c\u00e1, teremos que continuar a pagar mais impostos, para poder mant\u00ea-los no BPC e pagar a conta do SUS. Eles, do lado de cima, aqueles, cujos sal\u00e1rios, rendas, ganhos e penduricalhos somam altas cifras, continuar\u00e3o a se recusar a \u201cpagar mais impostos\u201d, por entenderem, que n\u00e3o lhes compete, sustentar programas sociais para beneficiar \u201cvagabundos\u201d, nas palavras deles. Lembrando que eles, s\u00e3o os mesmos que n\u00e3o aprovaram o PLP e que subiram <em>hashtags<\/em> com not\u00edcias falsas sobre os objetivos e consequ\u00eancias da lei. Podemos apostar que muitos dos profissionais de aplicativos, receberam tais mentiras, tamb\u00e9m, em grupos de <em>WhatsApp<\/em> das igrejas que frequentam e orientados por falsos pastores, que tamb\u00e9m, n\u00e3o pagam impostos.<\/p>\n<p>Voltando para a nossa realidade, estima-se que 32,5 milh\u00f5es de profissionais no Brasil atuam informalmente como aut\u00f4nomos, ou seja, 31,7% de um total de 102,5 milh\u00f5es de empregados, segundo o IBGE. Eles, os que est\u00e3o no universo dos 32 milh\u00f5es, formam um batalh\u00e3o de iludidos, incentivados por pessoas duvidosas e, claro, tamb\u00e9m, por interesses rasos. S\u00e3o desalentados, mas principalmente, s\u00e3o alimentados pela ignor\u00e2ncia das armadilhas em que caem, dia ap\u00f3s dia. Formam um ex\u00e9rcito que lutam a luta dos outros, sob a ilus\u00e3o de que est\u00e3o \u201ccorrendo atr\u00e1s\u201d, quando na verdade, est\u00e3o, sim, muito atr\u00e1s, mas \u00e9 da realidade da vida, dos fatos e do bom senso. Carregam as malas dos bandidos que os a\u00e7oitam e ainda os chamam de excel\u00eancia.<\/p>\n<p>Talvez alguns modismos tamb\u00e9m tenham influenciado parte da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que entrou e est\u00e1 entrando no mercado; acharam bonito express\u00f5es como <em>freelancer; coach, Gig Economy. <\/em>Talvez alguns, mais letrados e considerados tecnicamente mais entendidos, dir\u00e3o que isso n\u00e3o passa de trabalhos independentes ou economia sob demanda, o que no primeiro momento nos soaria como algo al\u00e9m de bonito, muito importante, desafiador, p\u00f3s-moderno e por que n\u00e3o, chique. Mas nada disso se sustenta. S\u00e3o apenas palavras desconexas do bom sentido e representatividade do que efetivamente est\u00e1 ocorrendo. O que temos como fatores principais dessa gera\u00e7\u00e3o de jovens e uma pequena parcela da turma que j\u00e1 se aproxima da fase de idosos, que n\u00e3o tiveram oportunidade de frequentar boas escolas; as fam\u00edlias que delegaram a boa educa\u00e7\u00e3o para estas mesmas escolas; tem tamb\u00e9m a turma que frequentou boas escolas, ou pensava serem boas escolas, s\u00f3 porque eram particulares, mas tamb\u00e9m n\u00e3o souberam aproveitar as \u201coportunidades\u201d. Tudo isso, nos parece fazer mais sentido, entender que sim, em maior ou menor propor\u00e7\u00e3o, influenciou a esse grupo de pessoas, a ca\u00edram nas armadilhas da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e se transformaram em desgarrados da gera\u00e7\u00e3o Y e inocentes da gera\u00e7\u00e3o Z, ou talvez, a hiperconectividade desesperan\u00e7ada da gera\u00e7\u00e3o alfa, que apesar de n\u00e3o saberem usar uma impressora, talvez sejam capazes de dirigir um ve\u00edculo de aplicativo. Afinal, temos at\u00e9 <em>baby boomers<\/em>, ajudando os desgarrados e os inocentes na dif\u00edcil labuta da sobreviv\u00eancia. Enquanto eles se empolgavam com termos em ingl\u00eas, sem saber ingl\u00eas, porque, de novo, \u00a0n\u00e3o tiveram oportunidade ou porque foram pregui\u00e7osos; enquanto in\u00fameras empresas usam m\u00e9todos arcaicos de sele\u00e7\u00e3o de trabalhadores e os inserem em trabalhos an\u00f4malos ao de escravid\u00e3o; enquanto o congresso aprovava leis contra o trabalhador e pr\u00f3-empresas, como a reforma trabalhista de 2017, que tirou direitos dos trabalhadores, rasgando algumas p\u00e1ginas da CLT e engordou mais a coluna de lucros dos empres\u00e1rios, os mesmos que pagaram os lobistas para \u201cincentivar\u201d a aprova\u00e7\u00e3o da lei; enquanto os filhos da turma do andar de cima, se capacitam em escolas de alto n\u00edvel, pago com o dinheiro originado por leis como a j\u00e1 citada reforma trabalhista; enquanto eles se iludem com o tal empreendedorismo e travestem-se de microempres\u00e1rios, a realidade come\u00e7a a bater-lhes a porta, e ao abri-la, se deparam com a idade avan\u00e7ada abra\u00e7ando-lhes, a sa\u00fade cobrando-lhes os maus-tratos ou o carro cem por cento el\u00e9trico, com a vida \u00fatil da bateria atingida, ou seja, um verdadeiro caos para uma gera\u00e7\u00e3o mais fragilizada.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, primordial pensar em mudan\u00e7a de comportamento. A come\u00e7ar, com o comportamento dos pais, que se igualam aos filhos, n\u00e3o sabem se impor, se deixam tratar como amiguinhos e n\u00e3o sabem agir com a autoridade de quem tem que guiar os rumos de suas crias. E acabam por criar criaturas inseguras e fracas, acostumadas a ter tudo sem lutar por elas. S\u00e3o os tais pais que n\u00e3o ensinaram aos filhos a sequer lavar o seu pr\u00f3prio copo, a limpar seu banheiro e ajudar nas tarefas do dia a dia de uma casa, para sermos mais simplistas. Criaram filhos que no primeiro insucesso no ENEM, eles j\u00e1 os encaminham para uma faculdadezinha particular e acham que eles ser\u00e3o felizes para sempre; ou, os deixam ludibriar-se com uma s\u00e9rie de diagn\u00f3sticos de sopinha de letras, tais como: TDAH, TEA, TOD, DI, TOC, etc. A\u00ed, passam a ser v\u00edtimas de si mesmos, com uma superprote\u00e7\u00e3o que s\u00f3 os enfraquecem. Viraram coadjuvantes nas atitudes e protagonistas na depend\u00eancia de outrem, al\u00e9m da dos pais. Enfim, a ilus\u00e3o do falso empreendedorismo que os leva a uma armadilha social profunda, persiste, criando profissionais frustrados e desalentados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Dos tantos absurdos que escutamos no dia a dia, de que o \u201cbrasileiro n\u00e3o quer mais trabalhar,\u201d devido ao bolsa fam\u00edlia; \u201co meu pol\u00edtico rouba mais faz\u201d; \u201cagora sou um empreendedor ou microempreendedor, pois detesto ser celetista\u201d; \u201centrei na era da pejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, enfim, poder\u00edamos elencar v\u00e1rios exemplos de absurdos e incongru\u00eancias, mas preferimos somar a estes, somente mais um: as entidades que representam os motoristas de aplicativos, entregadores e afins, consideram a proposta de lei complementar (PLP), inadequada, insuficiente e acham que ir\u00e3o perder muito com a proposta. Ora, eles j\u00e1 est\u00e3o perdendo. Por pior, prec\u00e1ria e insuficiente que seja a proposta, com certeza eles iriam ficar numa situa\u00e7\u00e3o melhor da que est\u00e3o hoje. Iriam avan\u00e7ar em ganhos reais e sociais. Aqui, vale aquela m\u00e1xima, de que o \u00f3timo \u00e9 inimigo do bom. A discuss\u00e3o sobre o PLP, foi realizada em mar\u00e7o de 2024, e \u00e0 \u00e9poca, era comum presenciarmos os profissionais de aplicativos e entregadores, na sua maioria, pronunciarem-se fervorosamente contra a proposta, principalmente sob a alega\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 iriam pagar mais impostos. O que, diga-se de passagem, n\u00e3o era verdade, iriam, sim, contribuir para a previd\u00eancia, o que \u00e9 justo e relevante, n\u00e3o esquecendo, entretanto, que a empresa patronal tamb\u00e9m iria contribuir com a sua contrapartida para fins previdenci\u00e1rios, como rege a lei para os demais empregadores celetistas. Na outra ponta desse enredo, temos a c\u00e2mara federal, que teve uma boa parcela dos seus representantes, discursando contra a proposta, ao mesmo tempo, em que outro grupo fazia recortes de v\u00eddeos e divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o ver\u00eddicas, sempre com o pano de fundo no credo de que aquela proposta seria ruim para os profissionais de aplicativos, entregadores e afins, ou, uma esp\u00e9cie de averso do inverso da realidade do tema aventado. Esqueceram-se, os nobres deputados, que o nobre papel de qualquer parlamento, \u00e9 entender propostas, verificar se elas atendem de fato \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o ou categoria, melhor\u00e1-las e aprov\u00e1-las para o bem do povo. Mas eles n\u00e3o agiram assim. Preferiram politizar a quest\u00e3o e ladear com aquela m\u00e1xima do \u201cquanto pior melhor\u201d, n\u00e3o importando a quem, desde que n\u00e3o seja ele. &nbsp; A ilus\u00e3o rasa de que n\u00e3o ter \u201cchefe\u201d; n\u00e3o ter que cumprir hor\u00e1rios engessados; ou simplesmente trabalhar a seu bel-prazer, pode levar a uma nuvem que emba\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o da dura realidade dos fatos. \u00a0No caso espec\u00edfico dos motoristas de aplicativos e a estes somamos tamb\u00e9m os entregadores e afins, eles se autodenominam como senhores de si, e por tanto, s\u00f3 dependem deles mesmos, o que infelizmente n\u00e3o \u00e9 verdade. Confundem o empreender, como sendo donos de si, quando na realidade, a aventura de empreender \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. O verdadeiro empreendedor sempre depender\u00e1 de colaboradores, de clientes ou de p\u00fablico, como preferirem, enfim, todos os stakeholders que est\u00e3o no seu entorno, al\u00e9m \u00e9 claro, do talento, aptid\u00e3o, networking e troca de experi\u00eancias, foco e determina\u00e7\u00e3o, bom treinamento e outros tantos que os mentores costumam utilizar para nos passar a impress\u00e3o de que est\u00e3o atualizados. Em um outro ramo desta mesma ponta, temos as influ\u00eancias, normalmente nefastas, dos tais coaches; assim como os pastores, que costumeiramente, ao tratar do tema se empolgam com a express\u00e3o: \u201cprosperar\u201d. Detalhe: se voc\u00ea n\u00e3o prosperar, com certeza \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o teve f\u00e9 o suficiente ou \u00e9 um incompetente. Lembremos que a maioria dos coaches, \u00a0n\u00e3o optou por ser empreendedora, ela \u00e9 ou foi, t\u00e3o v\u00edtima quanto seus aprendizes. Em suma, os nossos motoristas de aplicativos, entregadores e afins, vivem uma aventura e uma ilus\u00e3o, sempre achando que amanh\u00e3 aparecer\u00e1 uma nova oportunidade e as coisas ir\u00e3o melhorar. E assim o tempo vai passando, eles v\u00e3o ficando mais afastados do mercado de trabalho, v\u00e3o envelhecendo e se debilitando, at\u00e9 ficarem totalmente n\u00e3o competitivos, pois n\u00e3o tiveram tempo para se capacitarem e n\u00e3o se perceberam escravos invis\u00edveis \u00fateis. N\u00e3o contribu\u00edram para a previd\u00eancia e n\u00e3o t\u00eam plano de sa\u00fade, o que os far\u00e3o engrossar as filas do SUS e reivindicar o BPC, quando se virem sem condi\u00e7\u00f5es de continuar \u201cempreendendo\u201d e alugando a sua sa\u00fade e o seu corpo forte, quando ent\u00e3o, perceber\u00e3o que al\u00e9m de n\u00e3o terem feito uma poupan\u00e7a previdenci\u00e1ria, tamb\u00e9m n\u00e3o pouparam a sa\u00fade. Uns perderam uma perna aqui; outros, um bra\u00e7o por ali e um assalto acol\u00e1, deixou algu\u00e9m traumatizado. A carne dos seus corpos alimentaram o asfalto das via p\u00fablicas, seu \u00fanico aconchego e amigo fiel. O \u00fanico e \u00faltimo abra\u00e7o.\u00a0 Nunca, ter\u00e3o visto o Sr. Uber e companhia e muito provavelmente botar\u00e3o a culpa no governo, pelas condi\u00e7\u00f5es em que se encontram. Provavelmente ser\u00e3o procurados por advogados aproveitadores e pol\u00edticos oportunistas, que lhes oferecer\u00e3o solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, tirando-lhes o pouco que ainda t\u00eam. N\u00f3s, do lado de c\u00e1, teremos que continuar a pagar mais impostos, para poder mant\u00ea-los no BPC e pagar a conta do SUS. Eles, do lado de cima, aqueles, cujos sal\u00e1rios, rendas, ganhos e penduricalhos somam altas cifras, continuar\u00e3o a se recusar a \u201cpagar mais impostos\u201d, por entenderem, que n\u00e3o lhes compete, sustentar programas sociais para beneficiar \u201cvagabundos\u201d, nas palavras deles. Lembrando que eles, s\u00e3o os mesmos que n\u00e3o aprovaram o PLP e que subiram hashtags com not\u00edcias falsas sobre os objetivos e consequ\u00eancias da lei. Podemos apostar que muitos dos profissionais de aplicativos, receberam tais mentiras, tamb\u00e9m, em grupos de WhatsApp das igrejas que frequentam e orientados por falsos pastores, que tamb\u00e9m, n\u00e3o pagam impostos. Voltando para a nossa realidade, estima-se que 32,5 milh\u00f5es de profissionais no Brasil atuam informalmente como aut\u00f4nomos, ou seja, 31,7% de um total de 102,5 milh\u00f5es de empregados, segundo o IBGE. Eles, os que est\u00e3o no universo dos 32 milh\u00f5es, formam um batalh\u00e3o de iludidos, incentivados por pessoas duvidosas e, claro, tamb\u00e9m, por interesses rasos. S\u00e3o desalentados, mas principalmente, s\u00e3o alimentados pela ignor\u00e2ncia das armadilhas em que caem, dia ap\u00f3s dia. Formam um ex\u00e9rcito que lutam a luta dos outros, sob a ilus\u00e3o de que est\u00e3o \u201ccorrendo atr\u00e1s\u201d, quando na verdade, est\u00e3o, sim, muito atr\u00e1s, mas \u00e9 da realidade da vida, dos fatos e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-corporativo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=410"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":413,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions\/413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}