{"id":405,"date":"2025-07-27T21:34:40","date_gmt":"2025-07-27T21:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=405"},"modified":"2025-07-27T21:34:40","modified_gmt":"2025-07-27T21:34:40","slug":"acidentes-de-trabalho-infantil-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=405","title":{"rendered":"Acidentes de trabalho infantil no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A frase: acidentes no trabalho infantil no Brasil, por si s\u00f3, j\u00e1 nos remete a uma realidade absurdamente inaceit\u00e1vel e inimagin\u00e1vel no meio da nossa sociedade; algo escabroso e espantoso, sem que precis\u00e1ssemos nos aprofundar nos n\u00fameros e nas causas, mas, como o Brasil \u00e9 a meca do contrassenso, tais absurdos s\u00e3o suavizados, afinal, por aqui, ocorrem pelo menos 3 fatalidades entre crian\u00e7as e adolescentes por m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Fatalidade<\/strong><\/p>\n<p>um jovem, ao ser procurado, devido a sua demora em aparecer no local rotineiro de sa\u00edda, \u00e9 encontrado enroscado com uma corda no seu corpo e presa a um equipamento que estava em outro piso. Ele j\u00e1 estava morto e era um estagi\u00e1rio de 16 anos de uma empresa da regi\u00e3o sul. Dias antes, tamb\u00e9m na regi\u00e3o sul, um jovem de 16 anos, pasmem, tamb\u00e9m faleceu ao tombar em uma empilhadeira que ele estava operando. O equipamento tombou sobre ele.<\/p>\n<p>Na contagem de 2007 a 2025 (at\u00e9 maio) tivemos um registro de 415 fatalidades de menores em ambientes de laboro, dos quais, 22 delas eram crian\u00e7as menores de 13 anos. Estamos matando as nossas crian\u00e7as, em trabalhos absurdos e estamos tirando a possibilidade de futuro dos nossos filhos.<\/p>\n<p>Em 2024, 42 crian\u00e7as e adolescentes pereceram e estima-se que ao menos 15 crian\u00e7as s\u00e3o feridas diariamente, vitimizadas em atividades perigosas e insalubres, que no Brasil, pasmemos de novo, s\u00e3o proibidas para menores de 18 anos, conforme sinaliza o Sinam (Sistema Nacional de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o e MPT (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho).<\/p>\n<p><em>Fonte: Sinam\/MPT\/OIT\/Jornal O Globo<\/em><\/p>\n<p>Importante ressaltar que mesmo no emprego formal, com o menor na condi\u00e7\u00e3o de aprendiz e carteira assinada, h\u00e1 mortes.<\/p>\n<p><strong>Sequelas<\/strong><\/p>\n<p>Os especialistas afirmam que com a ocorr\u00eancia da pandemia, a partir de 2020, o trabalho infantil teve um incremento, o que explica o crescimento do n\u00famero de acidentes. Explica at\u00e9 a primeira p\u00e1gina, porque se os riscos fossem devidamente mitigados, nem sequer acidentes ocorreriam.<\/p>\n<p>No mundo real, temos crian\u00e7as entre 5 e 17 anos que saem para trabalhar, sem qualquer tipo de experi\u00eancia (nem seria cab\u00edvel), treinamento e n\u00e3o voltam. Ou voltam sem um bra\u00e7o, ou com algum membro que ficar\u00e1 inutilizado para o resto da vida. S\u00e3o nossas crian\u00e7as que est\u00e3o expostas a trabalhos de alta periculosidade ou insalubridade.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, dados de 2023, jogam luz num universo de 1,6 milh\u00e3o de jovens, entre crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos, que exercem atividade laboral no nosso pa\u00eds. Lembrando que em 2016, esse n\u00famero era de 2,1 milh\u00f5es. Com idade entre 5 e 13 anos, s\u00e3o 346 mil. Pelo que afirma, a m\u00e9dica pesquisadora da Fiocruz a respeito dos resultados do trabalho infantil, \u00c9lida Hennington, publicado em O Globo, \u201cH\u00e1 risco do ponto de vista f\u00edsico, cognitivo, com exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, esfor\u00e7o excessivo e no trabalho com m\u00e1quinas e equipamentos que n\u00e3o est\u00e3o preparados para ela\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio do Trabalho, focando somente em trabalhos formais, as ocorr\u00eancias de acidentes envolvendo menores, foram: 2023, com 1.820 casos e 2024, com 2.439 casos, representando um acr\u00e9scimo de 34%. Se elencarmos todas as idades, o n\u00famero, em 2024, totaliza mais de 700 mil casos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vidas mudadas<\/strong><\/p>\n<p>Mais de mil crian\u00e7as e adolescentes foram incapacitadas, total ou parcialmente, para exercer fun\u00e7\u00e3o laboral no Brasil, desde 2007. Em 2024, foram 61 casos, dos quais, incapacitaram permanentemente duas crian\u00e7as de 9 anos, com dois adolescentes de 16 e 17.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, em 2023, t\u00ednhamos mais de 500 mil indiv\u00edduos entre 5 e 17 anos, desenvolvendo atividades perigosas no Brasil.<\/p>\n<p>S\u00e3o, aproximadamente, 3 mil crian\u00e7as retiradas de atividades laborais por ano, pelo Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>Entre crian\u00e7as atropeladas, mutiladas, trucidadas, por m\u00e1quinas e equipamento; entre crian\u00e7as que perdem tr\u00eas dedos na prensa da padaria, porque algu\u00e9m mandou ela exercer uma atividade para a qual n\u00e3o foi contratada, e muito menos treinada; crian\u00e7as que perdem os movimentos dos bra\u00e7os, que se queimam e que perdem a vis\u00e3o; crian\u00e7as que perecem ou perdem a dignidade; crian\u00e7as que, com ou sem carteira assinada, exercem fun\u00e7\u00f5es de trabalhos para as quais, elas chamais poderiam sequer, passar por perto; crian\u00e7as cujos membros s\u00e3o engolidos por m\u00e1quinas forrageiras em fazendas que vistas de longe, s\u00e3o belas e produtivas, mas que ceifam o seu futuro e as suas oportunidades de brilhar; crian\u00e7as no polo industrial t\u00eaxtil com jornada de 9 horas, com lata de querosene e fogo para queimar as pontas dos fios; crian\u00e7as que empurram carne no moedor e por l\u00e1 ficam os seus membros; crian\u00e7as em trabalho informal em uma obra qualquer, quando o material que estava em seu poder, toca na rede el\u00e9trica, fechando um circuito de morte.<\/p>\n<p>O caos aqui narrado, parece mais aqueles filmes da s\u00e9rie sexta-feira 13, em uma vers\u00e3o bem <em>trash<\/em>, mas que, para o nosso dia a dia, \u00e9 a mais absurda realidade. Sem o al\u00edvio da fic\u00e7\u00e3o e com a barbaridade da vida, como ela \u00e9.<\/p>\n<p><strong>O que nos diz a lei em seu estado mais b\u00e1sico<\/strong><\/p>\n<p>Somente para fins de lembran\u00e7a, no Brasil, o trabalho \u00e9 proibido at\u00e9 os 13 anos. Dos 14 aos 16 \u00e9 permitido como menor aprendiz. A partir dos 16 e 17, \u00e9 permitida a contrata\u00e7\u00e3o com as seguintes restri\u00e7\u00f5es: <strong>n\u00e3o pode atuar com m\u00e1quinas, nas ruas, na agricultura ou \u00e0 noite.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Brasil precisa acordar e focar em solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que n\u00e3o nos acomodemos com as tais m\u00e1ximas de que, por aqui: as coisas s\u00e3o assim mesmo; que nada vai mudar; que ningu\u00e9m ser\u00e1 punido, portanto, nada faremos; ou, botar a culpa em Deus, dizendo que foi ele quem quis assim. N\u00e3o, \u00e9 preciso entender por que os donos das fazendas, com as suas forrageiras trituradoras de crian\u00e7as, n\u00e3o s\u00e3o penalizados e, principalmente, porque que muitos ainda se elegem vereadores, deputados e senadores. \u00c9 preciso entender e cobrar mitiga\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o, para os empregadores que n\u00e3o adequam as suas plantas com projetos que minimizem e bloqueiem a ocorr\u00eancia de acidentes, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o adequada de EPI\u2019s homologados, medidas de preven\u00e7\u00e3o em geral e bloqueios efetivos em m\u00e1quinas e equipamentos. Precisamos trazer luz, naqueles que contratam sem assinar a certeira; bem como, os que assinam a carteira e jogam os nossos jovens em armadilhas, arapucas e m\u00e1quinas monstruosas, trituradoras de corpos e ceifadoras de vidas, movidas a sangue. Precisamos dos nomes e dos seus rostos, em outdoors, dos empregadores denominados com pujan\u00e7a, de \u201cempres\u00e1rios\u201d, mas que n\u00e3o passam de vendedores de produtos pintados com o sangue dos nossos filhos, dos nossos trabalhadores. Ao mesmo tempo que precisamos divulgar o direito de recusa, \u00e9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, responsabilizar os gestores, os s\u00f3cios e quem mais estiver na cadeia das ocorr\u00eancias. Sem consequ\u00eancias n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7a. Muito falamos de meio ambiente, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pouco fazemos. \u00c9 hora de mudar e redirecionar mais forte para as condi\u00e7\u00f5es de trabalhos dos nossos jovens. Lembrando, que n\u00e3o somos contra o trabalho, mas o trabalho \u00e9 para nos fazer crescer, transformar, dignificar e oportunizar, n\u00e3o para mutilar ou matar os nossos bra\u00e7os fortes.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, o ESG, t\u00e3o falado e divulgado nas grandes corpora\u00e7\u00f5es e empreendimentos, o que \u00e9 louv\u00e1vel, precisa ter um <strong>S<\/strong> mais forte que o <strong>E<\/strong> de escravid\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o. Minist\u00e9rio P\u00fablico, Minist\u00e9rio do Trabalho, Justi\u00e7a do Trabalho, entidades fiscalizadoras e todos os entes, precisam acordar e melhor atuar para garantir a preven\u00e7\u00e3o e a vida dos nossos trabalhadores do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Sem fundo musical<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, ocorrem aproximadamente 83,6 acidentes de trabalho por hora, ou mais de 2.000 por dia e 732.751 por ano, segundo o AEAT.<\/p>\n<p>Basta. Lugar de crian\u00e7as e jovens \u00e9 na escola, de qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vicente Freire<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A frase: acidentes no trabalho infantil no Brasil, por si s\u00f3, j\u00e1 nos remete a uma realidade absurdamente inaceit\u00e1vel e inimagin\u00e1vel no meio da nossa sociedade; algo escabroso e espantoso, sem que precis\u00e1ssemos nos aprofundar nos n\u00fameros e nas causas, mas, como o Brasil \u00e9 a meca do contrassenso, tais absurdos s\u00e3o suavizados, afinal, por aqui, ocorrem pelo menos 3 fatalidades entre crian\u00e7as e adolescentes por m\u00eas. Fatalidade um jovem, ao ser procurado, devido a sua demora em aparecer no local rotineiro de sa\u00edda, \u00e9 encontrado enroscado com uma corda no seu corpo e presa a um equipamento que estava em outro piso. Ele j\u00e1 estava morto e era um estagi\u00e1rio de 16 anos de uma empresa da regi\u00e3o sul. Dias antes, tamb\u00e9m na regi\u00e3o sul, um jovem de 16 anos, pasmem, tamb\u00e9m faleceu ao tombar em uma empilhadeira que ele estava operando. O equipamento tombou sobre ele. Na contagem de 2007 a 2025 (at\u00e9 maio) tivemos um registro de 415 fatalidades de menores em ambientes de laboro, dos quais, 22 delas eram crian\u00e7as menores de 13 anos. Estamos matando as nossas crian\u00e7as, em trabalhos absurdos e estamos tirando a possibilidade de futuro dos nossos filhos. Em 2024, 42 crian\u00e7as e adolescentes pereceram e estima-se que ao menos 15 crian\u00e7as s\u00e3o feridas diariamente, vitimizadas em atividades perigosas e insalubres, que no Brasil, pasmemos de novo, s\u00e3o proibidas para menores de 18 anos, conforme sinaliza o Sinam (Sistema Nacional de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o e MPT (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho). Fonte: Sinam\/MPT\/OIT\/Jornal O Globo Importante ressaltar que mesmo no emprego formal, com o menor na condi\u00e7\u00e3o de aprendiz e carteira assinada, h\u00e1 mortes. Sequelas Os especialistas afirmam que com a ocorr\u00eancia da pandemia, a partir de 2020, o trabalho infantil teve um incremento, o que explica o crescimento do n\u00famero de acidentes. Explica at\u00e9 a primeira p\u00e1gina, porque se os riscos fossem devidamente mitigados, nem sequer acidentes ocorreriam. No mundo real, temos crian\u00e7as entre 5 e 17 anos que saem para trabalhar, sem qualquer tipo de experi\u00eancia (nem seria cab\u00edvel), treinamento e n\u00e3o voltam. Ou voltam sem um bra\u00e7o, ou com algum membro que ficar\u00e1 inutilizado para o resto da vida. S\u00e3o nossas crian\u00e7as que est\u00e3o expostas a trabalhos de alta periculosidade ou insalubridade. Segundo o IBGE, dados de 2023, jogam luz num universo de 1,6 milh\u00e3o de jovens, entre crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos, que exercem atividade laboral no nosso pa\u00eds. Lembrando que em 2016, esse n\u00famero era de 2,1 milh\u00f5es. Com idade entre 5 e 13 anos, s\u00e3o 346 mil. Pelo que afirma, a m\u00e9dica pesquisadora da Fiocruz a respeito dos resultados do trabalho infantil, \u00c9lida Hennington, publicado em O Globo, \u201cH\u00e1 risco do ponto de vista f\u00edsico, cognitivo, com exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, esfor\u00e7o excessivo e no trabalho com m\u00e1quinas e equipamentos que n\u00e3o est\u00e3o preparados para ela\u201d. Segundo o Minist\u00e9rio do Trabalho, focando somente em trabalhos formais, as ocorr\u00eancias de acidentes envolvendo menores, foram: 2023, com 1.820 casos e 2024, com 2.439 casos, representando um acr\u00e9scimo de 34%. 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O caos aqui narrado, parece mais aqueles filmes da s\u00e9rie sexta-feira 13, em uma vers\u00e3o bem trash, mas que, para o nosso dia a dia, \u00e9 a mais absurda realidade. Sem o al\u00edvio da fic\u00e7\u00e3o e com a barbaridade da vida, como ela \u00e9. O que nos diz a lei em seu estado mais b\u00e1sico Somente para fins de lembran\u00e7a, no Brasil, o trabalho \u00e9 proibido at\u00e9 os 13 anos. Dos 14 aos 16 \u00e9 permitido como menor aprendiz. A partir dos 16 e 17, \u00e9 permitida a contrata\u00e7\u00e3o com as seguintes restri\u00e7\u00f5es: n\u00e3o pode atuar com m\u00e1quinas, nas ruas, na agricultura ou \u00e0 noite. O Brasil precisa acordar e focar em solu\u00e7\u00f5es \u00c9 necess\u00e1rio que n\u00e3o nos acomodemos com as tais m\u00e1ximas de que, por aqui: as coisas s\u00e3o assim mesmo; que nada vai mudar; que ningu\u00e9m ser\u00e1 punido, portanto, nada faremos; ou, botar a culpa em Deus, dizendo que foi ele quem quis assim. 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