{"id":359,"date":"2025-01-31T11:26:52","date_gmt":"2025-01-31T11:26:52","guid":{"rendered":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=359"},"modified":"2025-10-16T12:43:26","modified_gmt":"2025-10-16T12:43:26","slug":"lykeion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vicentefreire.com.br\/?p=359","title":{"rendered":"Lykeion"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Lykeion <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Fui um Lice\u00edsta. Estudei no Liceu Maranhense, a mais antiga escola p\u00fablica do Maranh\u00e3o, fundada em julho de 1838 e que a partir de 1941 teve como sede o imponente pr\u00e9dio localizado na esquina do parque Urbano Santos, tendo ao fundo o gin\u00e1sio Costa Rodrigues, \u00e0 frente a lateral do Sesc, pelo lado esquerdo, o antigo col\u00e9gio Ateneu e para literalmente fechar o cerco, tem \u00e0 sua direita o antigo pr\u00e9dio da Embratel, com seu caracter\u00edstico azul beb\u00ea. Tudo isso emoldurado e abra\u00e7ado pela pra\u00e7a Deodoro com a sua magn\u00edfica biblioteca p\u00fablica Benedito Leite. \u00c9 bom lembrar que antes de 1941, funcionava neste citado pr\u00e9dio, o 5.\u00ba batalh\u00e3o de infantaria do ex\u00e9rcito. E hoje, sinto que n\u00f3s, turma de 78 a 80, form\u00e1vamos o verdadeiro batalh\u00e3o de adolescentes cheios de marra, alguma esperan\u00e7a e muita idiotice nas atitudes.<\/p>\n<p>\u00c9 bom n\u00e3o esquecermos onde tudo come\u00e7ou, nem sempre foi no magn\u00edfico pr\u00e9dio dos tempos atuais. Foi no t\u00e9rreo do convento do Carmo, vindo mais tarde a mudar-se para a rua Formosa ou Afonso Pena e mais tarde, em 1941, como j\u00e1 foi citado, para o atual pr\u00e9dio no parque Urbano Santos. Importante ressaltar que o Liceu teve como seu primeiro diretor, o ilustre poeta, Francisco Sotero dos Reis.<\/p>\n<p>Por l\u00e1 passaram algumas figuras de destaque no cen\u00e1rio pol\u00edtico, social e cultural do Maranh\u00e3o, tais como Roseana Sarney, Gast\u00e3o Vieira, a cantora Alcione Nazar\u00e9, Jos\u00e9 Sarney, a escritora Arlete Nogueira da Cruz, o poeta Sous\u00e2ndrade, Benedito Buzar, al\u00e9m de Alu\u00edsio Azevedo, Josu\u00e9 Montello e claro, meu amigo e contempor\u00e2neo, Sebasti\u00e3o Anacleto (Basti\u00e3o), ou ainda, Anacleto, delegado Anacleto ou simplesmente Sebasti\u00e3o, como bem diria dona Josefa, sua m\u00e3e. Sim, o Basti\u00e3o para mim, entre todos que foram citados como ilustres, foi o mais ilustre de todos.<\/p>\n<p>Recobrando lembran\u00e7as l\u00e1 dos idos dos anos 78 a 80, me vejo transitando pelos corredores largos do majestoso pr\u00e9dio em estilo neocl\u00e1ssico e suas linha sim\u00e9tricas, combinando com suas delicadas cornijas e as imponentes arcadas se entrela\u00e7ando com magnificas pilastras, no grande desafio de sustentar tudo aquilo. A pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio em formato de U dava a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1vamos sendo abra\u00e7ados pela enorme magnitude da edifica\u00e7\u00e3o, ao adentrar em suas depend\u00eancias. Tinha a boa sensa\u00e7\u00e3o de que estava num lugar bom e seguro. Estudava na ala direita superior, mas transitava todas as alas e corredores, oportunidade em que aproveitava o \u201cpasseio\u201d para conferir, dentre outras coisas, as meninas do Liceu e fazer campanha para a presid\u00eancia do centro c\u00edvico, por exemplo, oportunidade que me obrigou a bater muita perna vendendo o meu peixe na candidatura. Posso afirmar que no Liceu nasceu o meu gosto pela pol\u00edtica, ali\u00e1s, gosto e decep\u00e7\u00e3o, quase que na mesma intensidade.<\/p>\n<p>E tais lembran\u00e7as me remetem \u00e0s salas de aula e aos grandes professores, cada um com as suas peculiaridades. Como n\u00e3o lembrar do Professor Newton, que aben\u00e7oava as nossas tardes calorentas destrinchando o pequeno rato em dec\u00fabito dorsal, preso sobre uma placa de corti\u00e7a. Ele relatava t\u00e3o bem a t\u00e9cnica laboratorial, que eu chegava a ter pena do pobre rato. Ou ainda quando ele come\u00e7a a bailar uma saraivada de bact\u00e9rias com as suas respectivas mazelas e caracter\u00edsticas. O olho dele brilhava ao tratar do Treponema pallidum, Streptococcus pyogenes, Neisseria gonorrhoeae, Mycobacterium tuberculosis, Acinetobacter baumannii, etc.\u00a0 Da mesma forma, como esquecer a nossa querida e hil\u00e1ria professora de Citologia, Germana, e as suas vertentes sobre a teoria celular, ou como ela gostava de falar, unidade fisiol\u00f3gica e morfol\u00f3gica ou ainda, procarionte, eucarionte, assexuada e sexuado e por a\u00ed \u00edamos a encher as p\u00e1ginas dos cadernos com verdadeiros tratados sobre as minhocas e o seu hermafroditismo, a teoria da endossimbi\u00f3tica, DNA, RNA e Ribossomos. Durante essas aulas apenas uma coisa nos fazia desviar a aten\u00e7\u00e3o. Era quando a Melina Sereno, levantava e nos agraciava com o rebolado daquela bunda maravilhosa.<\/p>\n<p>Tudo isso acabou por forjar os nossos DNA de ter que ler, pesquisar, estudar e correr atr\u00e1s. A parte que entr\u00e1vamos a partir do segundo hor\u00e1rio e deix\u00e1vamos dona Dulce com a pulga atr\u00e1s da orelha ou quando jog\u00e1vamos bola no fundo da sala, al\u00e9m de fumar na sala e visitar quase que diariamente a secretaria\/diretoria para um boa tarde \u00e0 Eulina, deixaremos para outro dia.<\/p>\n<p>Viva o Liceu!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lykeion Fui um Lice\u00edsta. Estudei no Liceu Maranhense, a mais antiga escola p\u00fablica do Maranh\u00e3o, fundada em julho de 1838 e que a partir de 1941 teve como sede o imponente pr\u00e9dio localizado na esquina do parque Urbano Santos, tendo ao fundo o gin\u00e1sio Costa Rodrigues, \u00e0 frente a lateral do Sesc, pelo lado esquerdo, o antigo col\u00e9gio Ateneu e para literalmente fechar o cerco, tem \u00e0 sua direita o antigo pr\u00e9dio da Embratel, com seu caracter\u00edstico azul beb\u00ea. Tudo isso emoldurado e abra\u00e7ado pela pra\u00e7a Deodoro com a sua magn\u00edfica biblioteca p\u00fablica Benedito Leite. \u00c9 bom lembrar que antes de 1941, funcionava neste citado pr\u00e9dio, o 5.\u00ba batalh\u00e3o de infantaria do ex\u00e9rcito. E hoje, sinto que n\u00f3s, turma de 78 a 80, form\u00e1vamos o verdadeiro batalh\u00e3o de adolescentes cheios de marra, alguma esperan\u00e7a e muita idiotice nas atitudes. \u00c9 bom n\u00e3o esquecermos onde tudo come\u00e7ou, nem sempre foi no magn\u00edfico pr\u00e9dio dos tempos atuais. Foi no t\u00e9rreo do convento do Carmo, vindo mais tarde a mudar-se para a rua Formosa ou Afonso Pena e mais tarde, em 1941, como j\u00e1 foi citado, para o atual pr\u00e9dio no parque Urbano Santos. Importante ressaltar que o Liceu teve como seu primeiro diretor, o ilustre poeta, Francisco Sotero dos Reis. Por l\u00e1 passaram algumas figuras de destaque no cen\u00e1rio pol\u00edtico, social e cultural do Maranh\u00e3o, tais como Roseana Sarney, Gast\u00e3o Vieira, a cantora Alcione Nazar\u00e9, Jos\u00e9 Sarney, a escritora Arlete Nogueira da Cruz, o poeta Sous\u00e2ndrade, Benedito Buzar, al\u00e9m de Alu\u00edsio Azevedo, Josu\u00e9 Montello e claro, meu amigo e contempor\u00e2neo, Sebasti\u00e3o Anacleto (Basti\u00e3o), ou ainda, Anacleto, delegado Anacleto ou simplesmente Sebasti\u00e3o, como bem diria dona Josefa, sua m\u00e3e. Sim, o Basti\u00e3o para mim, entre todos que foram citados como ilustres, foi o mais ilustre de todos. Recobrando lembran\u00e7as l\u00e1 dos idos dos anos 78 a 80, me vejo transitando pelos corredores largos do majestoso pr\u00e9dio em estilo neocl\u00e1ssico e suas linha sim\u00e9tricas, combinando com suas delicadas cornijas e as imponentes arcadas se entrela\u00e7ando com magnificas pilastras, no grande desafio de sustentar tudo aquilo. A pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio em formato de U dava a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1vamos sendo abra\u00e7ados pela enorme magnitude da edifica\u00e7\u00e3o, ao adentrar em suas depend\u00eancias. Tinha a boa sensa\u00e7\u00e3o de que estava num lugar bom e seguro. Estudava na ala direita superior, mas transitava todas as alas e corredores, oportunidade em que aproveitava o \u201cpasseio\u201d para conferir, dentre outras coisas, as meninas do Liceu e fazer campanha para a presid\u00eancia do centro c\u00edvico, por exemplo, oportunidade que me obrigou a bater muita perna vendendo o meu peixe na candidatura. Posso afirmar que no Liceu nasceu o meu gosto pela pol\u00edtica, ali\u00e1s, gosto e decep\u00e7\u00e3o, quase que na mesma intensidade. E tais lembran\u00e7as me remetem \u00e0s salas de aula e aos grandes professores, cada um com as suas peculiaridades. Como n\u00e3o lembrar do Professor Newton, que aben\u00e7oava as nossas tardes calorentas destrinchando o pequeno rato em dec\u00fabito dorsal, preso sobre uma placa de corti\u00e7a. Ele relatava t\u00e3o bem a t\u00e9cnica laboratorial, que eu chegava a ter pena do pobre rato. Ou ainda quando ele come\u00e7a a bailar uma saraivada de bact\u00e9rias com as suas respectivas mazelas e caracter\u00edsticas. O olho dele brilhava ao tratar do Treponema pallidum, Streptococcus pyogenes, Neisseria gonorrhoeae, Mycobacterium tuberculosis, Acinetobacter baumannii, etc.\u00a0 Da mesma forma, como esquecer a nossa querida e hil\u00e1ria professora de Citologia, Germana, e as suas vertentes sobre a teoria celular, ou como ela gostava de falar, unidade fisiol\u00f3gica e morfol\u00f3gica ou ainda, procarionte, eucarionte, assexuada e sexuado e por a\u00ed \u00edamos a encher as p\u00e1ginas dos cadernos com verdadeiros tratados sobre as minhocas e o seu hermafroditismo, a teoria da endossimbi\u00f3tica, DNA, RNA e Ribossomos. Durante essas aulas apenas uma coisa nos fazia desviar a aten\u00e7\u00e3o. Era quando a Melina Sereno, levantava e nos agraciava com o rebolado daquela bunda maravilhosa. Tudo isso acabou por forjar os nossos DNA de ter que ler, pesquisar, estudar e correr atr\u00e1s. A parte que entr\u00e1vamos a partir do segundo hor\u00e1rio e deix\u00e1vamos dona Dulce com a pulga atr\u00e1s da orelha ou quando jog\u00e1vamos bola no fundo da sala, al\u00e9m de fumar na sala e visitar quase que diariamente a secretaria\/diretoria para um boa tarde \u00e0 Eulina, deixaremos para outro dia. 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